[...] O Liceu
de Artes e Ofícios, fundado em 1872, teve sua fase áurea na administração
de Manuel Vitorino (1886-1890);
a Academia de Belas Artes,
hoje Escola de Belas Artes, é de 1877. Proclamada a República, houve
governadores, como Rodrigues
Lima (1892 - 1896) e Luiz Viana (1896-1900), que se
preocuparam em ajudar esses estabelecimentos, prestigiando suas atividades e promovendo
a vinda de mestres estrangeiros. Mauricio
Grun e J. Gabriel Sentis, o primeiro
pintor e o outro escultor, vieram nesse tempo. Miguel Ganisares, pintor, viera
em 1876. Artistas locais foram contemplados com bolsas de estudo na Europa, um
deles, Manuel Lopes Rodrigues,
pintor de grandes qualidades, e até coleções valiosas de moldagens em gesso
foram importadas, como a que Manuel Vitorino adquiriu para o Liceu.
Mal se iniciara, porém o século XX, tanto o Liceu como a Escola de Belas Artes viram-se privados, por medida de economia, do auxílio do governo estadual. Começou então um período de vida árdua para as artes na Bahia [...]. Não quer isto dizer que, nos três a quatro decênios de crise, tenha deixado de haver artistas com obras significativas. Presciliano Silva, Alberto Valença. Mendonça Filho e outros, apesar da situação adversa, conseguiram fazer sua carreira, inclusive a viagem de estudos na Europa como bolsistas do Estado. [...] as artes menores praticamente ficaram xtintas em face da concorrência industrial.
Mal se iniciara, porém o século XX, tanto o Liceu como a Escola de Belas Artes viram-se privados, por medida de economia, do auxílio do governo estadual. Começou então um período de vida árdua para as artes na Bahia [...]. Não quer isto dizer que, nos três a quatro decênios de crise, tenha deixado de haver artistas com obras significativas. Presciliano Silva, Alberto Valença. Mendonça Filho e outros, apesar da situação adversa, conseguiram fazer sua carreira, inclusive a viagem de estudos na Europa como bolsistas do Estado. [...] as artes menores praticamente ficaram xtintas em face da concorrência industrial.
Muito sofreram alguns de nossos artistas
durante os anos em que era preciso especial diligência para ganhar a vida com
essa profissão. Bastará lembrar que Manuel
Lopes Rodrigues, vencido pelo desânimo, chegou ao ponto de abrir uma loja;
grande parte de sua obra foi vendida após sua morte, em leilão promovido pelos
amigos da família enlutada. Outros viram-se na contingência de aceitar empregos
públicos, ou a entrar no magistério secundário, pois não lhes seria possível
confiar na venda de seus trabalhos para atender às necessidades de família.
[...] A culpa não era dos artistas: tornara-se muito difícil viver de arte
entre nós.
Por isso, quando se considera a fase da
adversidade, é com particular carinho que devemos relembrar a figura de Carlos Chiacchio. Não fosse a
sua ação como crítico, como organizador de exposições e como pessoa influente
entre os raros colecionadores da época, provavelmente alguns de nossos artistas
teriam passado dificuldades maiores. O Salão
de Ala, por ele fundado, foi durante muitos anos o único acontecimento
artístico que a Bahia tinha para oferecer. Chiacchio era homem de caprichos,
reconheçamos; nunca porém se lhe poderá tirar o mérito de haver apresentado ao
público jovens que mais tarde se firmariam como artistas de talento. No que diz
respeito à arquitetura, a renovação começou com os prédios do Instituto do Cacau e do Instituto
de Educação, primeiras manifestações entre nós de uma concentração
funcional para o edifício. Datando respectivamente de 1934 e 1937, são obras do governo Juracy Magalhães.
No governo Landulfo Alves
(1938 - 1942), outro grande
passo ia ser dado, com os estudos
para o estádio. Tais estudos permitiram o contacto de arquitetos nossos com
eminentes colegas da capital federal, servindo além disso para elucidação de
problemas urbanísticos da velha cidade. O projeto
do estádio ficou consolidado no
governo Pinto Aleixo (1942 - 1945), a quem a Bahia também deve a compra da coleção para o Museu do Estado.
Iriam caber porém ao governo
Otávio Mangabeira (1947-1951), nessa questão servido pelo Secretário da Educação e Saúde,
Anísio S. Teixeira, as medidas decisivas para que o movimento artístico
baiano retomasse um ritmo vigoroso, não somente no campo da arquitetura e
urbanismo como também na escultura, pintura e gravura. [...]
Em 1949,
realizou-se com indiscutível êxito o Primeiro
Salão Baiano de Belas Artes. Tiveram seus organizadores o cuidado de não
limitar a concorrência aos artistas regionais promovendo ao invés uma exposição
de caráter nacional. Em atenção aos expositores de outros Estados, conceituados
artistas do Rio e de São Paulo foram convidados para integrar os júris de seleção
e premiação. Até a presente data, três Salões já foram realizados, sempre
despertando uma grande agitação entre todos os interessados, tanto pela Divisão
de Arte Geral como pela Divisão de Arte Moderna. E desde o primeiro que o
público tomou conhecimento de novos artistas locais, como Jener Augusto, Lígia Sampaio, Rubem
Valentim, ou então foi surpreendido com a qualidade de artistas já
quarentões, como no caso de Willys.
Outra circunstância do maior efeito, e
esta, circunstância que leva a vantagem de ser permanente, foi a incorporação da Escola de Belas
Artes na Universidade da Bahia e
sua conseqüente federalização. Deu novo alento aos mestres que haviam mantido o
estabelecimento durante o período de crise, e permitiu o ingresso de elementos
novos, portadores de uma visão avançada em matéria de arte e de seu ensino. Foi
no Curso de Arquitetura que a federalização da Escola mais se fez sentir, como
era de esperar, aliás. Aí havia margem para reformas mais profundas. Não haverá
exagero em se dizer que os estudantes de Arquitetura são o sal e a pimenta da
Escola de Belas Artes, os que mais exigem do corpo docente e os que mais se
movimentam em atividades extra-classe. O Salão Universitário Baiano de Belas
Artes, que todo ano se inaugura pela primavera, é fruto dessa movimentação.
Nos anos que assinalam o ressurgimento das
artes na Bahia, fixaram residência na velha capital dois artistas de invulgar
capacidade de trabalho e personalidade marcante. O primeiro a chegar, Carybé, desenhista de mérito
excepcional, em pouco tempo deu-nos obra de tal volume que é preciso ver para
crer. O outro, José Pancetti,
há mais de três anos que interpreta com largueza e poesia nossas praias,
casarios e tipos humanos. Contratados pela Escola de Belas Artes, na Bahia
também se acha João José
Rescala, que a uma experiência sólida de pintor sabe juntar essa qualidade
rara que é o gosto de ensinar. De passagem ou em rápida estadia, muitos outros
pintores de nome estiveram em Salvador: Tiziana
Bonazzola, Djanira, Milton Dacosta. Maria Leontina, Bonadei. O gravador Poty,
além de seus próprios trabalhos, ministrou um curso que seria de proveito para
alguns artistas baianos. Falemos agora destes. Relatemos, embora de maneira
superficial, o que têm feito de mais importante, não só no exercício de sua
profissão como também para benefício dos mais jovens e do púbico em geral.
No campo da arquitetura, salienta-se Diógenes Rebouças. Autor de
vários projetos de envergadura, como o do Hotel
da Bahia, do Centro
Educacional Carneiro Ribeiro, do prédio do IPASE e da nova
Penitenciária, tem-se ocupado igualmente de casas residenciais, de
edifícios para escritório e de problemas de urbanização. A ele se deve o
convite feito a conceituados arquitetos do Rio, para projetos de porte
monumental, como o do Teatro
Castro Alves (José Souza Reis e Alcides Rocha Miranda) e suas atividade.s
como professor do Curso de
Arquitetura da Escola de Belas Artes constituem
um dos aspectos mais simpáticos de sua atuação em nosso meio. Está esclarecendo
seus futuros concorrentes com um desprendimento que nada tem de comum. Dentre
os muitos arquitetos que viveram ou vivem na Bahia, mencionemos Bina Fonyat e Fernando
Leal (ambos professores
contratados da Escola), Hélio
Duarte, João Augusto Calmon e Antonio Rebouças, (os dois últimos
engenheiros civis com atividades no campo da arquitetura).
Passando à escultura, embora não esteja só, pois existem Ismael de Barros, Jair Brandão e outros, de tal sorte a personalidade e os trabalhos de Mário Cravo se tomaram famosos que hoje em dia já se incorre no exagero de identificar seu nome com escultura baiana contemporânea. Talvez até com arte moderna na Bahia. Trata-se de um escultor possante, inquieto e vertiginoso. Encerram suas mãos uma energia que quase não encontra limite. Além disso, sabe também como pintar e como gravar. Certamente que suas pinturas e gravuras logo evidenciam a visão de um escultor, mas isso não impede que algumas de suas monotipias sejam bonitas, nem que, como muralista, seja capaz de revelar uma compreensão segura da escala grandiosa.
Chegando ao terreno da pintura, verificamos que na Bahia existe a mesma divisão territorial que se observa noutros centros do país. De um lado estão os acadêmicos, aqueles que procuram manter-se na linha da tradição, aceitando como tradição tudo que se refere até o impressionismo. De outro, os que se intitulam modernos, mas que às vezes são acadêmicos, apenas com a diferença de que se valem de Picasso, Braque, Matisse, Utrillo, Vlaminck, Portinari, etc., em vez de se submeterem aos rigores de uma formação paciente, como fizerem aqueles mestres. A estes, talvez fosse oportuno dar um conselho equivalente ao do poeta Pablo Neruda à jovem colega que lhe perguntou como fazer boa poesia moderna: "cinqüenta sonetos à Camões", tal foi a receita formulada. No dia em que alguns pintores modernos da Bahia tivessem feito cinco quadros à Ingres, provavelmente desapareceriam de suas telas os defeitos de desenho que perturbam a originalidade de suas criações.
Presciliano Silva, Alberto Valença e Mendonça Filho são os maiores expoentes da pintura baiana que tem seu teto no impressionismo. Comparados aos correligionários doutras cidades brasileiras, vê-se que suas obras estão em nível muito elevado, não raramente no melhor nível que no país se conhece. Raimundo Aguiar, Newton Silva, Emídio Magalhães, Jaime Hora e outros seguem a mesma orientação.
Mário Cravo, já referido como escultor, Carlos Bastos (atualmente domiciliado no Rio) e Genaro de Carvalho foram os artistas que mais contribuíam para a relativa aceitação que a pintura moderna já conseguiu na Bahia. É claro que, apesar da distância, a obra de um Portinari, de um Burle Marx, Segall, Guignardi, ou de um Pancetti, também contribuiu de maneira ponderável. Mas nada como ver o próprio filho da terra enveredando por caminhos novos. O primeiro que tentou esses caminhos, José Guimarães, cerca de 1933, tão desprestigiado se viu que se afastou do meio e foi viver no sul.
É pena que Carlos Bastos tenha decidido residir na capital federal. Espírito muito original, suas composições, tocadas de um gosto macabro, sempre possuíram a qualidade de suscitar sentimentos desencontrados no espectador. Ademais, reatou na Bahia a tradição barroca na pintura, embora com temas que nada têm a ver com a inspiração religiosa dos mestres coloniais. O bar Anjo Azul, com seus murais carregados de figuras angustiadas, é o lugar onde se pode ver trabalhos com mais facilidade.
Na boite do Hotel da Bahia, encontra-se o trabalho principal de Genaro de Carvalho, também pintura mural. Aí, parece que fez o artista o máximo de que era capaz. Além das dimensões, que são gigantescas, teve de enfrentar o problema, de acomodar a composição ao formato da sala, que é elíptica. Havendo escolhido para tema, festas e costumes populares da cidade, realizou um documentário a que não faltam qualidades pictóricas. Temperamento inclinado pelas artes decorativas, ultimamente Genaro de Carvalho vem se dedicando de preferência a outros ramos, como azulejos, mobiliário, vestuário.
A renovação artística da Bahia continua. Presentemente, no Centro Educacional Carneiro Ribeiro, cinco grandes painéis estão sendo executados, tão grandes que seu tamanho terá de servir como atenuante, quando a crítica quiser apontar defeitos. Dois foram confiados a Jener Augusto, um a Carybé, outro a Mário Cravo e o quinto a Maria Célia Amado Calmon, professora da Escola de Belas Artes.
Na Galeria Oxumaré, instalada em prédio ao Passeio Público, organizam-se com relativa freqüência exposições individuais, sobretudo de modernos. Funciona além disso como ponto de reunião preferido por grupos numerosos de artistas e de pessoas interessadas em arte, no que sucede ao bar Anjo Azul, que se tomou um estabelecimento para pessoas ricas; com especialidade, visitantes.
Também a chamada pintura primitiva encontrou quem a valorizasse na Bahia. De há muito que existe, como se poderá verificar em certos ex-votos da sala dos milagres na Basílica do Bomfim. Na categoria de arte, porém, só nos últimos anos é que logrou obter importância, refletindo o movimento que se iniciou no estrangeiro e depois passou ao Rio e São Paulo. Entre nós, João Alves, de profissão engraxate, e Rafael, de profissão babalorixá, são os representantes mais credenciados. Uma qualidade não se lhes poderá negar: realmente originais, não pensam em Picasso nem Portinari, quando estão com o pincel na mão.
A arte da fotografia também possui seus amadores entre nós. Já se realizou mais de um salão. Existe igualmente quem procure fazer cinema no bom sentido, como é o caso de Robato Filho. Das artes aplicadas, que no período colonial e imperial floresceram tão vigorosamente, até agora somente o mobiliário tem dado sinais de renovação. Duas ou três pequenas indústrias, sob a direção de artistas modernos, estão tentando restabelecer nosso antigo prestígio, valendo-se sobretudo da beleza das madeiras regionais. Já na ourivesaria, o pouco que ainda se faz, ou é convencional, ou imitação cuidadosa do antigo, destinada ao comércio dos berloques.
Passando à escultura, embora não esteja só, pois existem Ismael de Barros, Jair Brandão e outros, de tal sorte a personalidade e os trabalhos de Mário Cravo se tomaram famosos que hoje em dia já se incorre no exagero de identificar seu nome com escultura baiana contemporânea. Talvez até com arte moderna na Bahia. Trata-se de um escultor possante, inquieto e vertiginoso. Encerram suas mãos uma energia que quase não encontra limite. Além disso, sabe também como pintar e como gravar. Certamente que suas pinturas e gravuras logo evidenciam a visão de um escultor, mas isso não impede que algumas de suas monotipias sejam bonitas, nem que, como muralista, seja capaz de revelar uma compreensão segura da escala grandiosa.
Chegando ao terreno da pintura, verificamos que na Bahia existe a mesma divisão territorial que se observa noutros centros do país. De um lado estão os acadêmicos, aqueles que procuram manter-se na linha da tradição, aceitando como tradição tudo que se refere até o impressionismo. De outro, os que se intitulam modernos, mas que às vezes são acadêmicos, apenas com a diferença de que se valem de Picasso, Braque, Matisse, Utrillo, Vlaminck, Portinari, etc., em vez de se submeterem aos rigores de uma formação paciente, como fizerem aqueles mestres. A estes, talvez fosse oportuno dar um conselho equivalente ao do poeta Pablo Neruda à jovem colega que lhe perguntou como fazer boa poesia moderna: "cinqüenta sonetos à Camões", tal foi a receita formulada. No dia em que alguns pintores modernos da Bahia tivessem feito cinco quadros à Ingres, provavelmente desapareceriam de suas telas os defeitos de desenho que perturbam a originalidade de suas criações.
Presciliano Silva, Alberto Valença e Mendonça Filho são os maiores expoentes da pintura baiana que tem seu teto no impressionismo. Comparados aos correligionários doutras cidades brasileiras, vê-se que suas obras estão em nível muito elevado, não raramente no melhor nível que no país se conhece. Raimundo Aguiar, Newton Silva, Emídio Magalhães, Jaime Hora e outros seguem a mesma orientação.
Mário Cravo, já referido como escultor, Carlos Bastos (atualmente domiciliado no Rio) e Genaro de Carvalho foram os artistas que mais contribuíam para a relativa aceitação que a pintura moderna já conseguiu na Bahia. É claro que, apesar da distância, a obra de um Portinari, de um Burle Marx, Segall, Guignardi, ou de um Pancetti, também contribuiu de maneira ponderável. Mas nada como ver o próprio filho da terra enveredando por caminhos novos. O primeiro que tentou esses caminhos, José Guimarães, cerca de 1933, tão desprestigiado se viu que se afastou do meio e foi viver no sul.
É pena que Carlos Bastos tenha decidido residir na capital federal. Espírito muito original, suas composições, tocadas de um gosto macabro, sempre possuíram a qualidade de suscitar sentimentos desencontrados no espectador. Ademais, reatou na Bahia a tradição barroca na pintura, embora com temas que nada têm a ver com a inspiração religiosa dos mestres coloniais. O bar Anjo Azul, com seus murais carregados de figuras angustiadas, é o lugar onde se pode ver trabalhos com mais facilidade.
Na boite do Hotel da Bahia, encontra-se o trabalho principal de Genaro de Carvalho, também pintura mural. Aí, parece que fez o artista o máximo de que era capaz. Além das dimensões, que são gigantescas, teve de enfrentar o problema, de acomodar a composição ao formato da sala, que é elíptica. Havendo escolhido para tema, festas e costumes populares da cidade, realizou um documentário a que não faltam qualidades pictóricas. Temperamento inclinado pelas artes decorativas, ultimamente Genaro de Carvalho vem se dedicando de preferência a outros ramos, como azulejos, mobiliário, vestuário.
A renovação artística da Bahia continua. Presentemente, no Centro Educacional Carneiro Ribeiro, cinco grandes painéis estão sendo executados, tão grandes que seu tamanho terá de servir como atenuante, quando a crítica quiser apontar defeitos. Dois foram confiados a Jener Augusto, um a Carybé, outro a Mário Cravo e o quinto a Maria Célia Amado Calmon, professora da Escola de Belas Artes.
Na Galeria Oxumaré, instalada em prédio ao Passeio Público, organizam-se com relativa freqüência exposições individuais, sobretudo de modernos. Funciona além disso como ponto de reunião preferido por grupos numerosos de artistas e de pessoas interessadas em arte, no que sucede ao bar Anjo Azul, que se tomou um estabelecimento para pessoas ricas; com especialidade, visitantes.
Também a chamada pintura primitiva encontrou quem a valorizasse na Bahia. De há muito que existe, como se poderá verificar em certos ex-votos da sala dos milagres na Basílica do Bomfim. Na categoria de arte, porém, só nos últimos anos é que logrou obter importância, refletindo o movimento que se iniciou no estrangeiro e depois passou ao Rio e São Paulo. Entre nós, João Alves, de profissão engraxate, e Rafael, de profissão babalorixá, são os representantes mais credenciados. Uma qualidade não se lhes poderá negar: realmente originais, não pensam em Picasso nem Portinari, quando estão com o pincel na mão.
A arte da fotografia também possui seus amadores entre nós. Já se realizou mais de um salão. Existe igualmente quem procure fazer cinema no bom sentido, como é o caso de Robato Filho. Das artes aplicadas, que no período colonial e imperial floresceram tão vigorosamente, até agora somente o mobiliário tem dado sinais de renovação. Duas ou três pequenas indústrias, sob a direção de artistas modernos, estão tentando restabelecer nosso antigo prestígio, valendo-se sobretudo da beleza das madeiras regionais. Já na ourivesaria, o pouco que ainda se faz, ou é convencional, ou imitação cuidadosa do antigo, destinada ao comércio dos berloques.
Em matéria de arte popular, que aqui se
entende como aquela que se vê nas feiras e mercados, continua à Bahia
produzindo uma cerâmica de formato e ornamentação dignos de atenção. A cestaria
não é desprezível, e certos trabalhos em ferro, como os destinados aos
candomblés, invenções locais.
Fonte:
Álbum Comemorativo da CIDADE DO SALVADOR. Habitat Editora Ltda. - São Paulo -
Brasil - 1954. Disponível em: http://www.cravo.art.br/jose_valadares.htm
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