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sexta-feira, 1 de abril de 2016

PHAROL DA BARRA

Para o formoso espirito de Xavier Marques

Naquella majestosa e vaga indifferença,
A indicar ao viajor um porto de bonaça,
Elle tem a attitude austera de quem pensa
Sob o peso fatal de uma triste lembrança…

E quanto mais a noite é negra e a treva é densa;
E mais furioso o mar se agita, e freme e avança,
Mais elle, a flux, espalha, em torno, a luz immensa
A luz avermelhada e cheia de esperança…

E ha de ser sempre assim, para, depois, um dia,
Os sonhos revelar daqueles que sorriram
Em busca de outros céus !... ou que, talvez, choraram!...

E ha de ser sempre assim:  testemunha sombria
Do destino fallaz daquelies que partiram…
Da saudade sem fim daquelies que ficaram!...

Bahia—MCMXVI.

MELLO BARRETTO FILHO
Fonte: Revista do IGHB, n. 43, 1918, p. 116-117.

O Forte já foi cercado por fossos e teve acesso por meio de uma ponte levadiça. 
Foto: reveillondofortesaodiogo.com.br

 Foi ocupado pelos holandeses em 1624.
Foto: Acervo Museu Tempostal.
Seu padroeiro é o santo militar "Antônio de Lisboa".
Passagem do Dirigível Reich.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

FORTE DE SÃO MARCELO

Ainda no navio, o primeiro contacto que o visitante tem com a história baiana é o Forte de São Marcelo, também chamado — do Mar. 

Longa e gloriosa a sua história, podendo ser considerado o guardião das tradições baianas. “Edificado sôbre um cabeço de rocha”, antes de existir teria sido uma trincheira avançada. Acredita-se que tenha sido  iniciado em 1623, por Diogo Mendonça Furtado, que guarnecia a cidade para a resistência aos holandeses. Sua construção causou desentendimentos entre o clero e o govêrno local, porque foram desviadas para aí quantias destinadas à construção da “Sé”. Seu batismo de fogo mais sério teria acontEcido antes de concluído, em 1624, quando tomado de assalto por Pieter Hein, cabo-de-guerra holandês, apelidado “o terror dos mares”. Nessa época, testemunhou curiosa festança dos holandeses, que, tomados de pileque carnavalesco, no auge da alegria, bombardearam as encostas da cidade. Porém, em maio de 1638, vingou-se da afronta com a saída de Nassau da Bahia, “com seus navios em silêncio”. Entretanto, recentemente, o historiador Luiz Monteiro afirmou em tese de concurso que, nessa época, o São Marcelo não existia como praça armada.

Quase duzentos anos depois, os tripulantes dos barcos de João das Botas, vindos da Ilha de Itaparica, nêle arvoraram a bandeira da liberdade.

A história, todavia, não termina aí. Em 1833, os idealistas da Federação dos Guanais nêle estiveram presos e conseguiram forçar a guarnição a aderir ao movimento, hasteando bandeira e bombardeando a cidade. Não sòmente êsses revolucionários conheceu, mas também Sabino Vieira, Bento Conçalves, o patriota Cipriano Barata — “o homem de tôdas as revoluções” — e os líderes e heróis anônimos da insurreição dos negros malês.

Mas sua missão não foi sômente guerreira: viveu também em função pacífica para a cidade. Era êle que disparava salvas de cortesia na tradicional procissão do Senhor dos Navegantes; anunciava os incêndios marítimos, era um relógio da cidade, mas foi também prisão de estudantes que desatendiam os professôres. No interior, além dos compartimentos indispensáveis numa praça forte, possuía árvores frutíferas, havendo mesmo românticos que cultivavam jasmineiros de Caiena...


E hoje, depois de tantos séculos, depois de assistir a guerras e revoltas, depois de seus canhões terem lançado fogo em defesa da cidade, o São Marcelo foi novamente chamado a ocupar o antigo pôsto. De forte tranqüilo — “adôrno do ancoradouro” — servindo de sede aos escoteiros do mar, com seus velhos canhões, sinal de um passado glorioso, dormindo sôbre os louros de vitórias, serviu na última guerra como aquartelamento aos marinheiros nacionais antifascistas.

Darwin Brandão & Motta Silva. Cidade do Salvador – caminho do encantamento. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1958, p. 7-8.



























segunda-feira, 23 de abril de 2012

Forte Farol de Santo Antônio da Barra

No alto da "Ponta do Padrão" fica localizado um dos mais conhecidos cartões postais da cidade do Salvador, o "Forte de Santo Antônio da Barra", ou "Farol da Barra", tombado pelo IPHAN em 1938.

Em 1584, Gabriel Soares de Souza já fazia referência ao Forte localizado na Ponta do Padrão.
http://bandeiranegrarep.blogspot.com.br
Desde o início da colonização portuguesa, esse ponto mais exposto da "Baía de Todos os Santos" precisou ser fortificado, recebendo ao longo dos anos trincheiras e baluartes, em versões que foram sendo ampliadas, até ganhar a feição que conhecemos, em 1865.

Sobre a portada o brasão do Império do Brasil, 
acrescentado após a independência da Bahia.
Inicialmente, a fortaleza era cercada por fossos e o acesso era feito por meio de uma ponte levadiça, num modelo bem medieval. Em 1598, o sétimo governador-geral do Brasil, D. Francisco de Souza, mandou reconstruir o forte em pedra e cal, para reforçar a defesa da Baía. Em 1624 foi tomado por holandeses.

Até o século XVII, orientações e avisos eram dados através de disparos de canhão. O farol teve sua primeira versão incandescente instalada em 1696, a mando do governador D. João de Lencastre, numa tentativa de conter os inúmeros naufrágios que se sucediam na região. Tinha base quadrada e era alimentado por óleo de baleia. A versão que podemos ver agora, de base circular, é de 1839, quando recebeu luz catóptica, substituída em 1890 pelo aparelho alimentado por querosene e, em 1937, pelo eletrificado. Já em 1956 foi instalado no Farol o sistema de rotação moderno.

Até a década de 70 do século XX o faroleiro morava no Forte.
Foto: pt.wikipedia.org

Em 1974 foi inaugurado no "Forte Farol" o "Museu de Hidrografia e Navegação da Marinha". Na década de 90, após obras de restauro no Forte, o espaço expositivo foi reinaugurado com nova proposta sendo chamado "Museu Náutico da Bahia", projeto da Fundação Assuntos do Mar, num convênio com o Ministério da Marinha do Brasil e tendo o apoio do Governo do Estado da Bahia, através do Programa Fazcultura.

Santo Antônio de Lisboa é o padroeiro do Forte Farol.

Referência Bibliográfica

SENNA, Francisco. Forte e farol da Barra – uma fortaleza de muitas formas, mas sempre bela. In: Tribuna da Bahia, Quinta-feira, 18/04/2002 – Suplemento Especial Fortes da Bahia, n.º 4.




Forte de Santa Maria

Implantado sobre um rochedo, no Porto da Barra, é desconhecida a data de início da sua construção. Obras encomendada pelo Governador D. João de Lancastro (1694 – 1702) deram-lhe a feição atual. O projeto é do Engenheiro João Coutinho e do seu filho Francisco Coutinho. As obras foram iniciadas pelo Engenheiro José Pais Esteves, mas tiveram sua conclusão supervisionada pelo Mestre André Francisco. Naquela ocasião recebeu uma torre quadrada para servir de farol, desativada em 1919. 

Referência Bibliográfica:

Tribuna da Bahia. Suplemento especial Fortes da Bahia, n.º 4. SENA, Consuelo Pondé de. Bahia – Terra de Fortes. Santa Maria - O forte que reina na mansa enseada do Porto da Barra. Salvador, 18/04/2002.


No escudo sobre a porta, brasão das armas imperiais.
No interior há nicho com imagem de sua padroeira.
http://malucosporaventura.blogspot.com.br
 Inscrição na pedra afixada ao lado da ombreira direita:
“Aqui desembarcaram a 9 de maio de 1624 os holandeses
comandados por Albert Schoutem
e a 30 de março de 1625 as primeiras tropas restauradoras
de D. Fradique de Toledo Osório 18 – IGHB – 
38.”
Entre 1937 e 1938 foi ocupado pelos revolucionários da Sabinada. 
Foto: mangarosa.com


terça-feira, 3 de abril de 2012

Carlos Gomes - Sodré - Dois de Julho - Aflitos


As quatro primeiras fotos a seguir estão neste álbum.










A entrada da Carlos Gomes, à esquerda do Sulacap, e o casario do Sodré.


Ladeira do Sodré e o acesso à Igreja de Santa Teresa.
1940 - http://www.cidteixeira.com.br/

Convento de Santa Teresa, no Sodré, 1940.
http://www.cidteixeira.com.br/
Casa do Sodré onde Castro Alves viveu seus ultimos dias.


Clube Fantoches.


Foto: Lindemann.





http://www.cidteixeira.com.br/

Igreja do Senhor Bom Jesus dos Aflitos.


Chafariz da Cabocla Largo dos Aflitos. Foto: Quinta da Luz.
Quartel dos Aflitos
Antes de ser implantado em frente ao Quartel dos Aflitos,
o Chafariz da Cabocla esteve no Largo da Piedade e no Campo Grande.