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domingo, 12 de maio de 2019

Solar do Ferrão, a "Casa Nobre do Maciel"


Foto: Acervo IPAC.

Numa região enladeirada do centro histórico de Salvador fica localizada uma das maiores, mais importantes e antigas construções civis da cidade, a "Casa Nobre do Maciel", ou "Solar Ferrão", iniciada em meados do século XVII, e ampliada ao longo dos séculos XVIII e XIX.

Um medalhão em cantaria sobre portada esquerda destaca o ano de 1690, enquanto na portada oposta é registrado o ano de 1701. As duas datas, certamente, marcam obras de ampliação e decoração realizadas e diferentes períodos.

A passagem da  família Maciel pelo Solar é demarcada por um brasão. Acredita-se, ter sido Antônio Maciel Teixeira o primeiro proprietário e responsável por grande parte da construção. "Cavalheiro Professo da Ordem de Cristo" e membro da "Santa Casa de Misericórdia", onde ocupou as cadeiras de "Irmão Maior" e "Provedor", a partir de 1695, Antônio Maciel Teixeira também assumiu a "Mesa de Vereança" da cidade em 1700.

Uma fonte de água já existia no local e era de uso comum dos moradores da região, por isso, Antônio Maciel Teixeira teve que se comprometer com o Senado a manter o acesso público, através de uma porta aberta no muro do fundo da propriedade, onde mantinha um jardim e uma horta. Os proprietários que o sucedessem, também deveriam permitir o uso da água da fonte aos moradores da redondeza. Esta "Fonte do Maciel" foi redescoberta durante obras de construção da Praça das Arte Cultura e Memória, no final da década de 1990.

O Solar possuía uma capela sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, onde foi realizado, em 1730, o casamento de Gaspar de Maciel de Sá e Antônia Josefa Gaioso Peralta - ocasião em que pertencia a José Sotero Maciel de Sá Barreto. O "Maciel de cima"e o "Maciel de Baixo", como são conhecidos os quarteirões que circundam o solar até hoje, devem o título à ilustre família.

Em 1755 o Solar foi adquirido pelos jesuítas que o adaptaram para o funcionamento do "Seminário N. Sra. da Conceição" e implantaram no seu quintal um imenso e "riquíssimo" presépio e uma ponte para lhe dar acesso.

Expulsa a "Companhia de Jesus" do Brasil, em 1759, o imóvel ficou fechado por longo tempo até ser levado a "hasta pública" (leilão). Sem manutenção adequada, naquele período ruiu o muro posterior à "Rua das Hortas", e a situação foi se agravando a ponto de impedir o trânsito no "Beco do Ferrão".

Foi inquilino do Solar, o Sargento-Mor Antônio Gomes, que passou a criar dificuldade para que as pessoas da região tivessem acesso à "Fonte do Maciel", mandando, inclusive, em 1767, fechar a porta no muro, pelo que o povo recorreu diante do Senado da Câmara, obtendo êxito em sua petição para permanecer se abastecendo de água ali. Ainda assim, o sargento se valia da sua patente para desobedecer a advertência do Senado, mesmo quando este recorreu junto ao governador.

A família Ferrão Castelo Branco, próxima proprietária do Solar legou-lhe o nome com que foi batizado, ocupando o imóvel por 60 anos.

O imponente Solar possui elementos decorativos de influência barroca e rococó, que foram sendo inseridos em diferentes épocas e por diferentes proprietários, ao longo de sua história.  No século XIX, sua fachada também recebeu elementos que o adequavam ao gosto eclético, mas estes foram removidos durante as obras de restauração realizadas pelo IPAC na década de 1970, com recursos do "Programa de Cidades Históricas do Nordeste" - PCH, do Governo Federal.

Perdeu-se entre os bens que compunham sua decoração uma coleção de telas que retratavam as invasões holandesas à cidade do Salvador, em 1624.

Fonte:

IPAC. Política e Programa de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural, Arqueológico e Natural do Estado da Bahia. Salvador, SEC/IPAC, 1984.

Foto: Vavá Tavares - Acervo IPAC.
Foto: Acervo IPAC.
Foto: Acervo IPAC.
Foto: Lazaro Menezes.
Foto: Acervo IPAC.
Foto: Acervo IPAC.
As colunas salomônicas do hall de acesso - Pintura de Beth Maia.
Salão Nobre do Solar Ferrão - Pintura de Beth Maia.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Solar do Conde dos Arcos

Acervo IPHAN
Construído no final do século XVIII, fora da área urbana da cidade do Salvador, e ricamente adornado, este solar pertenceu, entre 1771 e 1828, ao 8º Conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha e Brito, ultimo Vice-Rei do Brasil (1806-1808).

No interior, da suntuosa decoração dos tempos idos, ainda é possível apreciar os painéis de azulejos portugueses.

 


Fotos: Edgard Falcão, Acervo IPHAN.

Foto: Robert Chester Smith, Acervo IPHAN.

Em 1893, pertencia a D. Francisca Rosa Barreto Praguer.

Em 1928, missionários presbiterianos norte-americanos transformaram o solar no Ginásio Americano. Posteriormente, em 1935, tornaram-se seus proprietários.

Em 1938, foi tombado como parte do conjunto de arquitetura civil monumental da primeira capital do Brasil.

Fonte: Relíquias da Bahia, 1940.

Em 1943, o nome do estabelecimento de ensino foi alterado para Colégio Dois de Julho.

Novos pavilhões de aulas foram sendo construídos no entorno do solar, ao longo so século XX, e ele passou a abrigar seções administrativas e a biblioteca do colégio.


Em 1973, o telhado do Solar passou por restauração.

Em 1976, o conjunto foi transferido da Igreja Presbiteriana do Brasil para a Fundação Dois de Julho. O colégio, então, tornou-se independente da missão protestante e foi expandindo suas atividades, até ofertar cursos de nível superior e de pós-graduação. Permanece ativo, como uma das escolas mais tradicionais da cidade.

Em 1996, o Solar teve que ser interditado devido a problemas estruturais. Infelizmente, mais um exemplo da falta de interesse dos brasileiros por seu patrimônio histórico e artístico.

segunda-feira, 14 de março de 2016

O Solar da Rua do Saldanha 23

Um solar curioso e original pela sua fisionomia construtiva, é o da rua do Saldanha 25, na segunda esquina do lado esquerdo de quem desce a antiga rua do Tijolo, hoje 28 de Setembro, ficando junta à casa número 8, desta rua, que parece ter sido sua dependencia. 
Construção da era colonial, pouco ou quase nada sabemos do seu passado de casa nobre. 
A arquitetura dêsse velho solar, hoje transformado em çasa de apartamentos, é um marco caracteristico de resideneia sem simile entre as demais existentes em nossa Cidade, dotada de bom numero de moradas solarengas. 
Bastante amplo e de enormes proporções, apesar de edificado em um lugar apertado e acanhado, tem imponencia singular.
A sua parte alta e esguia do lado direito, de dois andares e um mirante tem uma vista magnifica. De longe, nos dá a impressão da torre dc um observatorio ou coisa semelhante. 
De portas molduradas de pedra de cantaria, possue seis janelas de frente, sendo duas no andar térreo e quatro no superior com sacadas de pedra para fora, guarnecidas por grades de ferro fundido. Na sobreloja existe uma porta. No saguão, destinguiam-se até bem pouco tempo, encravadas no forro, as roldanas das cadeirinhas de arruar destinadas aos fidalgos moradores dessa opulenta residencia. Relatam que dos lados, sentados em bancos, ficavam os escravos devidamcnte fardados, a espera das ordens dos senhores para as saidas. 
Segundo informação colhida em fonte segura, merecedora de credito, em algum tempo, esse solar, era conhecido pela denominação de “Casa Regia”. Dotado de vastos salões, um magestoso patio de arcadas e uma grande varanda lateral, sobre a casa n. 8, a casa da rua do Saldauha, 25, tem a sua história. 
Antigo solar, habitado pelos Monizes”, aí nasceu no dia 28 de Janeiro de 1870, Gonçalo Moniz Sodré de Aragão, filho de Dr. Egas Carlos Moniz Sodré de Aragão e de D. Maria Leopoldina Sodré de Aragão, descendentes “em linha reta de Guilherme Moniz e de d. Joana Côrte Real, rebentos que foram de antigas, ilustres e fidalgas famílias portuguesas que emigraram para a Bahia nos primeiros tempos de colonização”. 
Foi um dos fundadores da Academia Bahiana de Letras, “Escritor, jorna lista, publicista, historiador, higienista, secretario de Estado, com o seu saber prestou ao Estado da Bahia e ao pais inovidaveis serviços”. 
O professor Pinto de Carvalho, no seu discurso de abertura dos cursos em 1910, na Faculdade de Medicina, afirmou: 
“Notavel professor foi Gonçalo Moniz, ao ponto de dever ser inaugurado dentro em pouco a sua efige em bronze nas paredes deste templo da ciencia, numa glorificação promovida pelos seus pares, visando perpetuar aqui sua imagem, do mesmo modo porque se há de imortalizar a sua memoria nos anais da nossa Faculdade e nas taboas de oiro da espiritualidade brasileira”. 
Tempos depois, passou o imovel para o domrnio de Luiz de Oliveira Vasconcelos o qual, duou a Santa Casa da Misericordia da Bahia. 
Já em nossos dias, foi inquilino dêsse solar abandonado pela aristocrácia, o professor e epigramista hahiano de saudosa memória, Roberto Correia, “um  dos maiores poetas da Bahia destes derradeiros tempos”.
Waldemar Mattos
Fonte: Revista do Instituto Genealogico da Bahia. Ano 1 – N. 1, Bahia, 24 de agosto de 1944, p. 68.

Fonte: Revista do Instituto Genealogico da Bahia,
Ano 1 N. 1, Bahia, 24 de Agosto de 1944, p. 69.



Fonte: IPAC.
Fonte: IPAC.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Avenida Joana Angélica

Casarão que existia onde fica a sede da Ordem dos Advogados da Bahia,
no limite da Av. Joana Angélica, próximo a Praça da Piedade
Ladeira conhecida como Coqueiro da Piedade, que dá acesso à Estação da Lapa
Onde está a casa mais baixa, hoje temos um dos acessos do Shopping Lapa.
O largo citado, vendo-se ao fundo a Igreja de São Pedro Nova, na Praça da Piedade.
Convento de N. S. da Lapa.
Fonte: Luiz Eduardo Dórea. Os nomes das ruas contam histórias. CMS, 1999.
http://www.cidteixeira.com.br/
http://www.cidteixeira.com.br/

Em 2016, infelizmente, foi sacrificada a bela torre da Igreja do Colégio do Sagrado Coração de Jesus. 

Além de Instituto Normal de Educação, esse edifício já sediou a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas.


A Igreja de N. S. de Nazaré, ainda sem as duas torres,
e o relógio que foi retirado para abertura da ligação com o Vale de Nazaré.



Ordem dos Advogados da Bahia.
http://www.cidteixeira.com.br/
Convento Feminino de Nossa Senhora da Lapa.
Convento de N. S. da Lapa
http://www.cidteixeira.com.br/
Academia de Letras da Bahia.


Solar do Barão do Rio Real.
http://www.cidteixeira.com.br/
Solar do Barão do Rio Real.
http://www.cidteixeira.com.br/
Igreja de Nossa Senhora da Nazaré.
Liceu Salesiano do Salvador.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A casa das Sete Mortes, por Silva Campo (1930)

O prédio número vinte e quatro da rua do Passo, sobrado de um andar, com o frontispício revestido de azulejos […]. Reconstruiram-no em 1889, segundo um mármore existente ao alto da vêrga da porta […].

Mas, porque Casa das Sete Mortes?

No tempo que se passou o facto que vou narrar, a rua do Passo não era mais que uma trilha escassamente habitada, marginada por espêsso matagal, de onde emergiam ramalhudas árvores. Ainda não existia a igreja matriz e, muito menos, pois, a larga escadaria que sobe da ladeira do Carmo.

A casa em aprêço, várias vezes modificada no correr dos anos, era o solar de apatacado lusitano. Mais adeante residia outro portuguez, dono de um cachorro de estimação, sobremaneira brabo. Certa feita, ao passar com o seu molosso pêla casa do vizinho, o animal investio furiosamente contra um escravo daquele, e o negro defendendo-se, matou-o. Sem nenum protesto, o senhor do cadelo tornou-se á sua morada, tomou de acerada lamina, e foi invadir a casa do patrício, inopinadamente, esfaqueando quantos topou, sem esguardar sexo, nem idade, nem condição. Assim, o truculento reinol perpetrou ste cruais assassínios.

Esta tradição, diz-me J. Teixeira Barros, ouviu-a o actual locatário do prédio em lide da bôca de velho artista, septuagenário, quando este, há anos, o reparava, dizendo saber do caso por imformação de seus avós.

Ouçamos, agora, o que nos conta Melo Moraes, pae, no Brazil histórico, relativamente á tradicional casa.

No meado do século XVIII o proprietário do sobrado estava em renhida demanda com o ajudante ás ordens do vice-rei, o qual entendeu de pôr fim á mesma eliminando o contendor. Uma noite, achando-se a familia a cear, os mandatários do crime entraram, trucidando o casal e os filhos, em número de sete pessoas. Só escapou uma mulatinha, escrava da casa, a qual se escondeu dentro do forno, ainda quente, dele não saindo senão quando ouviu cessar todo o rumor. A voz do povo acusou unanimamente o mencionado ajudante, o qual foi preso, mas porque não se encontrassem provas nos autos para a sua condenação, restituiram-lhe a liberdade.


 SILVA CAMPOS. João da. Santo Antonio de Campo Formoso. In: _____. Tradições Bahianas – Separata da Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia nº 56, 1930. Bahia: Secção Graphica da Escola de Aprendizes Artífices, 1930, p. 51-54.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Solar Amado Bahia

Porto dos Tainheiros, nº. 80. 


Fotos: Acervo IPHAN.

Projetado pelo português Francisco Mendonça, sua construção foi iniciada em 1901 e a inauguração ocorreu com toda pompa em 08 de dezembro de 1904, para os casamentos das filhas do proprietário Francisco Amado da Silva Bahia, Clara Soares Bahia e Maria Julieta Soares Bahia. 

Foto: Acervo IPHAN.
Foto: Acervo IPHAN.

Foto: Angeluci Figueiredo
http://www.correio24horas.com.br/single-bazar/noticia/conheca-casas-de-salvador-que-chamam-atencao-por-sua-arquitetura-marcante/?cHash=6b47d01c2d4a066fac2fa1877e0e0af7
A família importou da Europa diversos elementos decorativos, entre espelhos, mobiliário, lustres, vasos, vidraçaria francesa gravada para as esquadrias, louça sanitária inglesa. Vários cômodos foram decorados com pintura escariole. A capela recebeu um belo retábulo neo-clássico. No salão nobre foram colocados espelhos de moldura dourada. Havia também um belo chafariz no jardim.

Foto: Acervo IPHAN.

http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/solar-amado-bahia-vai-a-leilao-veja-fotos-internas-e-conheca-a-historia-do-antigo-casarao/

Foto: Angeluci Figueiredo
http://www.correio24horas.com.br/single-bazar/noticia/conheca-casas-de-salvador-que-chamam-atencao-por-sua-arquitetura-marcante/?cHash=6b47d01c2d4a066fac2fa1877e0e0af7



 


Fotos: Acervo IPHAN.

Filho de pescador, Amado Bahia nasceu em 13 de outubro de 1853, numa casa do Porto do Bonfim. De origem humilde, conseguiu vencer na vida como comerciante de alimentos, couro, carne, sebo, farinha de osso e fazendeiro.

No interior tinha terras de Paripe até Novo Mundo, e vários imóveis na cidade. Tinha vários açougues na Cidade Baixa e um mercado na Baixa dos Sapateiros. Substituiu carroças por caminhões alemães da Mularte para um serviço mais higiênico e rápido.

Faleceu em 1924 e em 1949 a família doou a casa à Associação dos Empregados do Comércio para instalação de um hospital, o "Sanatório Amado Bahia", o que não ocorreu. Em 1966 foi instalada pela Associação uma escola, a "Escola Amado Bahia", desativada após o tombamento federal.

Fonte: INBMI/IPHAN-BA.

http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/solar-amado-bahia-vai-a-leilao-veja-fotos-internas-e-conheca-a-historia-do-antigo-casarao/