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quinta-feira, 10 de maio de 2018

Igreja de Nossa Senhora da Ajuda


"A igreja da Ajuda que temos atualmente, já não é aquela “Sé de palha” construída pelo Pe. Manuel da Nóbrega e reconstruída em 1579, bela igrejinha com sua “capela de abóbada”, conforme notou Gabriel Soares.

A velha ajuda, cheia das melhores tradições baianas e brasileiras, essa desapareceu irremediavelmente em 1912, condenada que foi pelo plano de remodelação da cidade, organizado pelo Prefeito Julio Viveiros Brandão.

Em posição oposta á primitiva, construíram, em estilo manuelino, a nova ajuda; e inauguraram-na em 1923.

A igreja da Ajuda foi, em 1807 (Alvará de 14 de Janeiro), incorporada aos bens nacionais; mas, por Decreto de 10 de fevereiro de 1827, confirmado pela Resolução 519, de 12 de Fevereiro do mesmo ano, e pela Carta Imperial de 20 de Fevereiro de 1850, foi doada á Veneravel Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Santos Passos e Vera Cruz, que, até hoje, a administra.

[…] algumas peças, que notaremos, e as velhas imagens são do mais alto valor histórico e artístico: altar do Senhor dos Passos e arcaz (ambos com maravilhosa talha, na Sacristia), velhas cadeiras, andor de prata, credências, caixa de esmolas (séc. XVI), lápide com a inscrição – I.H.S. 1579 –, o púlpito onde Vieira pregou contra Holanda, e imagens várias, antiquíssimas, dentre as quais sobressaem as da Senhora da Ajuda e duas do Senhor dos Passos.

Godofredo Filho. Baía, 28 de Dezembro de 1939."






Altar-Mor. Acervo IPHAN.

Altar Lateral. Acervo IPHAN.

Púlpito. Acervo IPHAN.

Altar da Sacristia. Acervo IPHAN.

Arcaz da Sacristia. Acervo IPHAN.

terça-feira, 31 de março de 2015

Américo Simas Filho: sobre o "Urbanismo Demolidor"

A destruição assistemática teve início no ultimo quartel do século XIX, quando a Praça Municipal, Centro Administrativo desde 1549, ano de fundação da Cidade do Salvador, foi completamente alterada, a saber: 

  1. Pela demolição dos edifícios da Casa da Relação e da Casa da Moeda, o primeiro ao fundo, onde hoje se acha o Elevador Lacerda e a Casa da Moeda onde até pouco estavam a Biblioteca Pública e a Imprensa Oficial.
  2. Pela transformação por que passou o Frontispício da Casa de Câmara e Cadeia, com a reforma Caminhoá, desfigurando totalmente a sua sóbria e digna fachada Colonial, só recentemente refeita e, mesmo assim, parcialmente, tais os estragos da citada reforma. 
  3. Por fim, mas não menos danoso,  as modificações que se iniciaram na posição e estrutura do Palácio dos Vice Reis, onde agora se acha o infeliz Palácio Rio Branco. 

O combate sistemático, sob a invocação de “Melhoramentos Urbanos” foi realizado no primeiro quartel do século atual, sobretudo de 1912 a 1920, quando as intervenções no tradicional Centro Administrativo – Praça Municipal – Centro Cultural – Terreiro de Jesus – foram projetadas e aprovadas pelas autoridades competentes, mas executadas só em parte, pela falta de recursos financeiros, daí resultando a salvação de alguns monumentos notáveis, alguns temporariamente – a Sé, por exemplo e outros definitivamente – o Palácio Arquiepiscopal junto à Sé ambos condenados se os recursos financeiros disponíveis permitissem a plena execução dos projetos aludidos. 

Era o Urbanismo Demolidor que pretendia desenhar a cidade em função do veículo automotor que surgia. Entre os delitos mais importantes cometidos contra os Bens Culturais da Cidade do Salvador, basta citar as demolições das igrejas da Ajuda e de São Pedro e os magníficos exemplares da arquitetura civil então existentes nas ruas da Misericórdia, Ladeira da Praça, Rua Chile e outros locais. 

Na ocasião, em verdade, não foram esses monumentos os alvos visados, pois faziam parte de conjuntos que deveriam ser arrasados para dar vazão à falsa idéia de progresso então vigente, segundo a ótica dos administradores da época. Todavia, eram justamente esses conjuntos, como se reconhece hoje facilmente que, com sua forma e cor caracterizavam a área. Assim, trechos construídos em séculos eram amputados em anos, ao sabor de experiências urbanísticas sem qualquer fundamentação racional. 

Américo Simas Filho, Revista de Cultura da Bahia, 1976, p. 6-7.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Igreja de Nossa Senhora da Ajuda

Em 1549, ano de fundação da cidade, foi erguida dentro de seus muros, em taipa e palha, a primeira capela, dedicada a Nossa Senhora da Ajuda e ladeada pelas casinhas onde se hospedaram os seis primeiros missionários jesuítas, que desembarcaram com o governador-geral, para catequese dos nativos. 

Em 22 de julho de 1552, com a chegada do primeiro bispo do Brasil, D. Pero Fernandes Sardinha, a capela passou a servir como Sé - a Sé de Palha - e os jesuítas foram transferidos para o Monte Calvário - onde fica atualmente o Conjunto do Carmo - para atuarem entre os aldeamentos próximos da cidade-fortaleza que surgia.

D. Pero Fernandes Sardinha promoveu reestruturação e ampliação do tempo,  em estilo manuelino. A obra foi concluída em 1579. Ocuparam seu púlpito Manoel da Nóbrega, Antônio Vieira e José de Anchieta.

Fonte: Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Santos Passos e Vera Cruz.


Em 1807 a capela foi incorporada aos bens da União e, após um período de abandono, por decreto de 10/02/1827 foi doada à Venerável Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Santos Passos e Vera Cruz.

Em 1912, como parte do projeto de remodelamento do Centro de J. J. Seabra, foi mutilada e o que restou da edificação original foi aproveitado no novo projeto do templo, projetado pelo arquiteto italiano Júlio Conti, cuja obra foi inaugurada em 1923, por ocasião do centenário da Independência.


 


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Rua da Ajuda - Anos 50

"Na Rua da Ajuda havia o célebre alfaiate Spinelli, que tinha por slogan “Adão não se vestia porque Spinelli não existia”; no mesmo prédio existia uma livraria, cujo proprietário, Argeu Costa, foi assassinado, enquanto trabalhava à noite; esse crime nunca foi desvendado. Nessa rua havia vários consultórios médicos, além de alguns armarinhos, livrarias e a mais maravilhosa casa de chocolates, a Kopenhagen." 

Ana Maria Carvalho de Azevedo. 
Museóloga. Setor de Pesquisa e Documentação do Museu Carlos Costa Pinto.