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sexta-feira, 24 de maio de 2019

Santa Casa de Misericórdia da Bahia

A Ordem das Santas Casas de Misericórdia teve sua origem com a criação da Irmandade de Misericórdia de Lisboa, em 1498. O rei D. Manuel e seus sucessores, estimularam a criação de Santas Casas por todo o Reino. Assim, foram instaladas em várias províncias de Portugal, e também  nas suas possessões localizadas na África, na Ásia e na América.


Quando chegou a Salvador, em 1549, mesmo ano de fundação da cidade, foi chamada de Hospital de Caridade da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, ou Hospital de São Cristóvão. Sua sede funcionou, inicialmente, em uma construção de taipa, depois foi sendo melhorada e ampliada.


 


Em 1700 foi criado em sua sede o Recolhimento do Sagrado Nome de Jesus, para abrigar mulheres,  e em  1734 a Irmandade implantou a considerada primeira “roda de enjeitados” do Brasil.

Em 1833, o hospital passou a funcionar nas instalações do Hospital Real Militar, no Terreiro de Jesus - antigo Colégio dos Jesuítas. Já no final do século XIX, foi transferido para a nova sede construída no Bairro de Nazaré,  o Hospital Santa Isabel, quando também foram criados pela Santa Casa o Internato Nossa Senhora da Misericórdia e o Cemitério do Campo Santo

Em 1938, sua sede, na Rua da Misericórdia, Centro Histórico, foi tombada pelo SPHAN. Durante o século XX, funcionando como entidade filantrópica, a Irmandade inaugurou: a Creche Juracy Magalhães; a Escola Jardim Encantado; a Escola Rosa Gattorno; o Plano de Saúde Santa Saúde; o Departamento de Ação Social; o Complexo de Creches no Bairro da Paz - em parceria com a Fundação D. Avelar; e o Museu da Misericórdia - em sua sede histórica.



segunda-feira, 18 de junho de 2018

Capela de N. Sra. do Rosário e Santíssima Trindade

Foto: José Kalkbrenner, déc. 1960.
http://www.igrejas-bahia.com/salvador/ss-trindade.htm

Em 13 de Junho da recuada era de 1733, João Antonio Malheiro, Aleixo Coelho Matassão, Antonio da Silva Araujo, João de Almeida Correia e João Marques da Silva arrendaram à Capella de Santo Antonio Alem do Carmo trinta braças de terreno para edificação da capella de N. S. do Rosario e Santissima Trindade.

Levantaram a Capella no alto, defronte de Agua de Meninos. A devoção progrediu dahi promoveram a edificação de Capella maior, sendo posta a podra inicial seis anos depois. A prime-ira missa, porem, foi celebrada em 1796, o que é de admirar, si não ha engano na data, parecendo que a progressão foi emquanto todos estavam no pequenino templo...

Em 26 de Agosto de 1806 o Papa Pio VII extinguiu  a irmandade primitiva, instituindo-se, então, a Ordem Terceira da Santissima Trindade e Redempção dos Captivos com todas as regalias e graças concedidas á Ordem de igual titulo da Cidade do Porto.

Os Primeiros Provedor e Prior foram o sr. Manoel Marques Brandão e o Padre Francisco Agostinho Gomes, por delegação de 21 de Janeiro de 1807, do Arcebispo Frei José de Santa Escolástica.

A primeira profissão de irmãos, em numero de 39, realisou-se em 1º de Fevereiro. Em 1877, obteve a Ordem a doação do ceiterio do Bom Jesus (Massaranduba?) o fez também a acquisição da Capella das Candeias, no arraial deste nome, por doação do Tenente Coronel Miguel de Teive e Argollo por escriptuura passada pelo tabelião José Augusto Abrantes, e em Março de 1883 tomou posse judicial desses bens.

Foi posta em duvida essa doação por questão havida entre o doador e seu parente o Capitão Francisco RibeiroLopes e seu filho. O bacharel Francisco de Teive e Argollo arrematou a mesma capella.

João Varella, “Da Bahia que eu vi”, 1935, p. 18-20.

João Varela também trata do grande incêndio ocorrido em 1888, que destruiu completamente o templo católico enquanto passava por obras de ampliação coordenadas pelo Engenheiro Gallo, havendo suspeita, inclusive, de que tenha sido criminoso.


1860.

1940.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Igreja de Nossa Senhora da Ajuda


"A igreja da Ajuda que temos atualmente, já não é aquela “Sé de palha” construída pelo Pe. Manuel da Nóbrega e reconstruída em 1579, bela igrejinha com sua “capela de abóbada”, conforme notou Gabriel Soares.

A velha ajuda, cheia das melhores tradições baianas e brasileiras, essa desapareceu irremediavelmente em 1912, condenada que foi pelo plano de remodelação da cidade, organizado pelo Prefeito Julio Viveiros Brandão.

Em posição oposta á primitiva, construíram, em estilo manuelino, a nova ajuda; e inauguraram-na em 1923.

A igreja da Ajuda foi, em 1807 (Alvará de 14 de Janeiro), incorporada aos bens nacionais; mas, por Decreto de 10 de fevereiro de 1827, confirmado pela Resolução 519, de 12 de Fevereiro do mesmo ano, e pela Carta Imperial de 20 de Fevereiro de 1850, foi doada á Veneravel Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Santos Passos e Vera Cruz, que, até hoje, a administra.

[…] algumas peças, que notaremos, e as velhas imagens são do mais alto valor histórico e artístico: altar do Senhor dos Passos e arcaz (ambos com maravilhosa talha, na Sacristia), velhas cadeiras, andor de prata, credências, caixa de esmolas (séc. XVI), lápide com a inscrição – I.H.S. 1579 –, o púlpito onde Vieira pregou contra Holanda, e imagens várias, antiquíssimas, dentre as quais sobressaem as da Senhora da Ajuda e duas do Senhor dos Passos.

Godofredo Filho. Baía, 28 de Dezembro de 1939."






Altar-Mor. Acervo IPHAN.

Altar Lateral. Acervo IPHAN.

Púlpito. Acervo IPHAN.

Altar da Sacristia. Acervo IPHAN.

Arcaz da Sacristia. Acervo IPHAN.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Conjunto da Ordem III do Carmo

Quando os missionários carmelitas chegaram à capital da colônia portuguesa na América, em 1586, se instalaram bem distantes do núcleo inicial da cidade-fortaleza, num monte que denominaram calvário. Dali pretendiam dar início à catequização dos primitivos habitantes da terra. 

Com o passar do tempo, o crescimento da cidade, a formação de freguesias e a organização social em irmandades, famílias portuguesas de boas condições na cidade, fundaram a Irmandade da Ordem III da Venerável N. Sra. do Carmo.

A rica irmandade acumulou um importante acervo de obras de arte. No acervo há belíssimas alfaias, mobiliário ricamente ornado, talhas e retábulos dos estilos barroco, rococó e neo-clássico, telas espanholas e originárias do sul do Brasil, louças portuguesas, holandesas, chinesas e inglesas. Há ainda livros e documentos raros, contam a história da cidade, das artes e dos artistas do período colonial, e de muitas famílias baianas.

Uma das maiores jóias da arte colonial em Salvador, o conjunto é muito lindo e rico em acervo artistico dos século XVII a XX. Por isso, quando do início da atuação do SPHAN em Salvador (1937), junto ao Convento de São Francisco, era monumento que mais demandava atenção das autoridades preservacionistas.

Infelizmente, com o tempo, foi deixando de receber dos órgãos de preservação essa atenção necessária. Está em estado regular de preservação, apesar de ladear o conjunto de sua Ordem I, tornado em um dos mais importantes hotéis do Centro Histórico de Salvador

Assim, parte de seu rico acervo tem se perdido, seja pelo estrago gerado pela falta de manutenção devida, seja pela ignorância e ganância de criminosos que, em proveito próprio e mesquinho, atentam contra o proveito coletivo. 

Acervo IPHAN
Acervo IPHAN
Acervo IPHAN
Acervo IPHAN
Acervo IPHAN
Acervo IPHAN
Acervo IPHAN

Acervo IPHAN

Acervo IPHAN

Acervo IPHAN
  





  




O mais antigo órgão de tubos da Bahia fica em seu templo.
Construído na França, por Aristides Cavaillécall, entre 1855 e 1860, 
ano em que foi trazido para Salvador, instalado e inaugurado.
Sala de reuniões.



Imagem magnifica executada pelo preto "O Cabra"
para a "Procissão do Senhor morto".
 

domingo, 21 de janeiro de 2018

Igreja e Convento de de N. S. da Piedade - Capuchinhos

A ordem dos franciscanos foi fundada em 1210 e deu origem a outras duas: a dos Conventuais e a dos franciscanos. Três séculos depois, Frei Mateus Bascio, discípulo  de São Francisco, sentindo que os religiosos se distanciavam dos seus ensinamentos, criou a ordem dos Capuchinhos (nome que remete ao capuz do hábito), com o objetivo de “voltar aos princípios de austeridade e pobreza de São Francisco”. Os que ingressam na Ordem fazem votos de pobreza, obediência e castidade. Usam o hábito marrom, com o capuz e o cordão de São Francisco amarrado na cintura. Até a década de 1970, também era obrigatório o uso de barba.

O Hospício de Nossa Senhora da Piedade  foi erguido a partir de 1682 a certa distância da primitiva cidade do Salvador, para hospedagem de missionários que atuavam em várias frentes na colônia portuguesa da América do Sul.

Gravura do século XVII, Fonte: FGM.

Foi Frei Martinho de Nantes que trouxe a Ordem para Salvador e antes da construção de sua própria sede local, os missionários se hospedavam em conventos de outras ordens. Em 1687, os primeiros freis puderam ser acolhidos no primitivo Hospício de Nossa Senhora da Piedade. E em 1712, a edificação foi elevada a residência oficial e prefeitura da "Missão da Bahia".

Guilherme Gaensly, Década de 1920.

Em Carta Régia de 18 de janeiro de 1809, Frei Ambrosio da Rocca obteve autorização para grande reforma e ampliação. A bela cúpula do templo, toda coberta de terracota colorida importada de Hamburgo, na Alemanha, foi construída entre 1866 e 1868, pelo Frei Sabino de Rimini.

A partir de 1865, oficiais e praças baianos destacados para as batalhas no sul do Brasil, e que voltaram vitoriosos, assumiram a organização da "Procissão em homenagem a N. S. da Piedade", com seu curso até o Quartel do Aflitos.


Em 29 de agosto de 2000, dia de Santo Antonio, o conjunto de quatro sinos da torre do campanário, de origem italiana, voltou a tocar, em homenagem ao santo. Datado do século XVIII o conjunto ficou dois anos desativado dedido a falta de manutenção que ameaçava fazer ruir as torres. O balançar dos sinos, pesando entre 150Kg e 400Kg, estava causando rachaduras nas paredes.

Naquele período em que várias ações foram realizadas em comemoração aos 500 anos do Brasil, o “Programa os sinos que dobram”, bucava resgatar a tradição católica das badaladas de sinos das igrejas da primeira cidade e capital da colonização.

Atualmente os capuchinhos na Bahia mantém uma série de atividades junto a população da cidade. Além das concorridas missas, que atraem os comerciante do antigo centro da cidade, há cursos de restauro de documentos e livros antigos, coral, seminários e outros eventos num confortável auditório.

Há no espaço também um museu com acervo que remonta às atividades missionárias passadas e história da Ordem.


Camillo Vedani, 1865.
Benjamin Mulock, 1861.

Postal de cerca de 1925.