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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Associação dos Empregados do Comércio


Revista Bahia Illustrada, n. 10, anno II, setembro de 1918.
Revista Bahia Illustrada, n. 10, anno II, setembro de 1918.
Interior do edifício eclético projetado pelo arquiteto italiano Rossi Baptista.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Praça Municipal

E continuando nós os passos, fomos até a
Praça, onde nos sentamos junto à casa da Moeda,
e dali me mostrou (…) o Palácio dos Governadores,
a Casa da Relação e a Cadeia em que estão os presos.
NUNO MARQUES PEREIRA

Saindo da Rua Chile, o visitante vê uma praça quadrangular, que forma com seus edifícios, quase todos oficiais, o centro cívico da cidade. É  a Praça Municipal. Vendo-a hoje, ninguém poderá imaginar sua existência através de quatro séculos. Grandes acontecimentos ela presenciou. Quando praça de touros, corações femininos se emocionavam, assistindo àquele esporte, tão do agrado de nossa primeira sociedade colonial. Mas não só corações femininos ali fremiram: quando o sino do antigo Paço soava, conclamando clero, nobreza e povo para o sacrifício das lutas, ela se transformava em baluarte de resistência. Também testemunhou cenas degradantes, quando tinha o pelourinho da cidade.

Com os tempos e as transformações políticas, suas placas mudaram. E, assim, chamou-se Praça da Parada, do Palácio, da Constituição, do Conselho, Rio Branco, Tomé de Sousa. Mas o povo não toma conhecimento: ela é a Praça Municipal, tão amada pelo baiano, que nela viveu maremotos de comícios, quando o canto dos demagogos terminava em tiros e pancadarias.

A Praça Municipal é o eixo do centro cívico da cidade, com o Palácio do Govêrno, a Prefeitura, a Biblioteca Pública, a Imprensa Oficial e o Elevador Lacerda.

Darwin Brandão & Motta Silva. Cidade do Salvador – caminho do encantamento. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1958, p. 12.







http://www.tramz.com

Após bombardeio (1912).










A Casa da Câmara, remodelada no século XIX.
www.cidteixeira.com.br
Praça Municipal em 1930. Fonte: CEAB/UFBA.









Foto: Spínola. www.cidteixeira.com.
Foto: Spínola. www.cidteixeira.com.








terça-feira, 31 de março de 2015

Américo Simas Filho: sobre o "Urbanismo Demolidor"

A destruição assistemática teve início no ultimo quartel do século XIX, quando a Praça Municipal, Centro Administrativo desde 1549, ano de fundação da Cidade do Salvador, foi completamente alterada, a saber: 

  1. Pela demolição dos edifícios da Casa da Relação e da Casa da Moeda, o primeiro ao fundo, onde hoje se acha o Elevador Lacerda e a Casa da Moeda onde até pouco estavam a Biblioteca Pública e a Imprensa Oficial.
  2. Pela transformação por que passou o Frontispício da Casa de Câmara e Cadeia, com a reforma Caminhoá, desfigurando totalmente a sua sóbria e digna fachada Colonial, só recentemente refeita e, mesmo assim, parcialmente, tais os estragos da citada reforma. 
  3. Por fim, mas não menos danoso,  as modificações que se iniciaram na posição e estrutura do Palácio dos Vice Reis, onde agora se acha o infeliz Palácio Rio Branco. 

O combate sistemático, sob a invocação de “Melhoramentos Urbanos” foi realizado no primeiro quartel do século atual, sobretudo de 1912 a 1920, quando as intervenções no tradicional Centro Administrativo – Praça Municipal – Centro Cultural – Terreiro de Jesus – foram projetadas e aprovadas pelas autoridades competentes, mas executadas só em parte, pela falta de recursos financeiros, daí resultando a salvação de alguns monumentos notáveis, alguns temporariamente – a Sé, por exemplo e outros definitivamente – o Palácio Arquiepiscopal junto à Sé ambos condenados se os recursos financeiros disponíveis permitissem a plena execução dos projetos aludidos. 

Era o Urbanismo Demolidor que pretendia desenhar a cidade em função do veículo automotor que surgia. Entre os delitos mais importantes cometidos contra os Bens Culturais da Cidade do Salvador, basta citar as demolições das igrejas da Ajuda e de São Pedro e os magníficos exemplares da arquitetura civil então existentes nas ruas da Misericórdia, Ladeira da Praça, Rua Chile e outros locais. 

Na ocasião, em verdade, não foram esses monumentos os alvos visados, pois faziam parte de conjuntos que deveriam ser arrasados para dar vazão à falsa idéia de progresso então vigente, segundo a ótica dos administradores da época. Todavia, eram justamente esses conjuntos, como se reconhece hoje facilmente que, com sua forma e cor caracterizavam a área. Assim, trechos construídos em séculos eram amputados em anos, ao sabor de experiências urbanísticas sem qualquer fundamentação racional. 

Américo Simas Filho, Revista de Cultura da Bahia, 1976, p. 6-7.