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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Século XVI - Prosperidade

A Cidade do Salvador, ‘‘uma das mais ricas do mundo, por ser escala do Peru e Nova Espanha” e “estar cheia de ouro e prata, muito pau Brasil, açúcares e outras mercadorias”, começava a fortificar-se com construções de pedra e cal, em pontos estratégicos, a cargo de engenheiros peritos na arte militar, para defender-se das tentativas “de armadas inimigas”.

Waldemar Mattos

MATTOS, Waldemar. Evolução histórica e cultural do Pelourinho.
SENAC, Rio de Janeiro, 1978, p. 14.



Século XVI - Limites e Portas

A primeira capital da América Portuguesa obedecia aos limites seguintes: norte, praça de Palácio e início da rua da Misericórdia; sul, fim da rua Direita de Palácio (Chile) e começo da Porta de Santa Luzia (praça Castro Atves). Oeste, a escarpa, quase a pique; leste, o tremedal das hortas de São Bento. Havia, portanto, que cuidar somente das defesas ao norte e ao sul.

“Localidade fechada dentro dos seus muros de taipa, Salvador abria-se para o mundo através das portas que possuía, em número de duas: a de Santa Catarina ao norte e a de Santa Luzia ao sul, flanqueadas por baluartes com pontes levadiças sobre os fossos circulantes. Uma paisagem do feudalismo europeu i, transplantada para os trópicos da América”.

Porta do Carmo, por dar acesso ao caminho conducente ao Convento do Carmo, que se ergue na colina batizada por Monte Calvário ou Monte do Carmo, antiga aldeia de índios. Despontou com a denominação de Porta de Santa Catarina ou Porta do Norte, ao longo da linha verdejante da “costa (2) mui ingreme”, que se extendia extra-muros da cidade de 1549. No segundo século da colonização, Porta de Bestefeld, nome do comandante holandés da sua guarnição de defesa em 1624-1625.

As Portas do Carmo, vulgarmente levadas ao plural, entre o mar e o rio das Tripas, (3) à entrada do Maciel, segundo o engenheiro José Antônio Caldas, fechava “o corpo da cidade” ao norte.
[...]
Revela Gabriel Soares que, em 1587, os muros levantados por Tomé de Sousa haviam ido ao chão, tanto por serem de taipa como porque “se não repararam nunca, em o que se descuidaram os governadores”.
[...]

D. José de Mirales afirma que D. João de Lencastro ordenou a construção do hornaveque, e do reduto a cavaleiro, que defendia a porta exterior, brasonada ao alto com as armas da cidade, concedidas por Tomé de Sousa. Apresenta-se como uma “soberba plataforma com dois baluartes”, onde diariamente permanecia de guarda uma companhia.

Reprodução no livro de Waldemar Mattos.


‘O Castelo das Portas do Carmo é que fecha o corpo da Cidade pela parte do Norte. Ë um simples cavaleiro. Neste está atualmente um corpo de guarda com vinte soldados, um .oficial, sargentos, como nas Portas de São Bento. A explicação da planta e a fachada mostrará melhor esta obra. Tem cinco peças de canhão. de ferro e nove balas de ferro”.

Escreve o engenheiro José Antônio Caldas, na legenda referente ao desenho da planta e da fachada do castelo, em Noticia geral de toda esta Capitania da Bahia desde o seu descobrimento até o presente ano de 1759, Bahia, 1951.

Resquício do Castelo ou Fortaleza das Portas do Carmo
em foto do livro de  Waldemar  Mattos.

Waldemar Mattos

MATTOS, Waldemar. Evolução histórica e cultural do Pelourinho.
SENAC, Rio de Janeiro, 1978, p. 12,13,19,20.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Século XVI - A praça

"Está no meio desta cidade uma honesta praça, em que se correm touros quando convém em a qual estão da banda do sul umas nobres casas, em que se agasalham os governadores,e da banda do norte tem as casas do negócio da Fazenda, da alfândega e armazéns; e da parte leste tem a casa da câmara,cadeia e outras casas de moradores, com que fica esta praça em quadro e o pelourinho no meio dela, a qual a banda dopoente está desabafada com grande vista sobre o mar onde estão assentadas algumas peças de artilharia grossa, donde aterra vai muito a pique sobre o mar ao longo do qual é tudo rochedo mui áspero." (SOUZA, Gabriel Soares de. Tratado Descritivo do Brasil, 1587).

Tupinambás em guerra

“Esses indígenas não se relacionavam de maneira amistosa, como se pode imaginar pelo fato de falarem uma língua comum e terem costumes semelhantes. Gabriel Soares comenta que os residentes entre o Rio Real e o São Francisco eram inimigos dos que moravam daí para baixo. De igual modo, os que habitavam em Salvador eram inimigos não se davam bem com os que viviam na área delimitada pelo rio Paraguaçu, Sergipe, ltaparica, rio Jaguaripe, Ilha de Tinharé e as costas de Ilhéus. O mesmo autor do “Tratado Descritivo do Brasil” acrescenta que essas divergências haviam ocorrido antes da chegada dos portugueses. Para explicar a razão de tantas guerras entre povos irmãos Florestam Fernandes escreveu: “A função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá’ que praticamente esgota o assunto.”

Consuelo Pondé de Sena

SENA, Consuelo Pondé de. Os Tupinambá da Bahia. In: NASCIMENTO, Jaime; GAMA, Hugo. A Urbanização de Salvador em Três Tempos – Colônia, Império e República. Textos Críticos de História Urbana. Salvador: Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, 2011, Vol. I, pg. 19.

Séculos XV e XVI - Do "descobrimento" à Instituição das Capitanias Hereditárias

“Inicialmente, os portugueses não tinham por objetivo povoar o novo território, mas proceder ao seu reconhecimento na linha litorânea, tarefa de que se desincumbiram imediatamente. Partiu de capitães da frota de Pedro Álvares Cabral a idéia da vinda de uma expedição exploradora, que pudesse reconhecer a terra recém descoberta. Em vista disso, D. Manuel mandou preparar, em 1501, três embarcações destinadas a fazer essa visita. Da expedição fazia parte o florentino Américo Vespúcio, indevidamente citado como seu comandante, honra que deve ser debitada ao português Gaspar de Lemos. A segunda expedição aqui esteve entre 1503/1504, tendo saído de Lisboa a 10 de junho de 1503, atingido a ilha de Fernando de Noronha, perdendo-se nesse ponto a nau capitânia. Do resto da frota separaram-se dois navios, que foram ter à Baía de Todos os Santos, assim batizada em 1501 por Vespúcio, comandante dessa nova empreitada, até Cabo Frio.

Aqui fundaram uma feitoria fortificada, carregaram pau-brasil, deixando no local uma guarnição de 24 homens, depois de ligeira exploração do Interior, só regressando, no ano seguinte, a Portugal. Outras expedições foram mandadas pelo rei de Portugal, a exemplo da colonizadora de Martim Afonso de Sousa, mas as freqüentes visitas de navios franceses ao litoral brasileiro para fazer carregamento de pau-brasil, levaram a Coroa a estabelecer o regime das Capitanias Hereditárias, por meio das quais julgava dominar inteiramente o nosso território.”

Consuelo Pondé de Sena

SENA, Consuelo Pondé de. Os Tupinambá da Bahia. In: NASCIMENTO, Jaime; GAMA, Hugo. A Urbanização de Salvador em Três Tempos – Colônia, Império e República. Textos Críticos de História Urbana. Salvador: Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, 2011, Vol. I, pg. 19.

O encontro entre europeus e tupinambás

“A primeira impressão causada pelos índios aos “invasores” foi de surpresa, de inteiro desconhecimento daquela gente. A dos moradores da terra, obviamente, de espanto, admiração e desconfiança.

[...]

A primeira impressão experimentada pelos colonizadores em relação aos povos nativos foi sendo, paulatinamente, substituída por acentuada preocupação. Preocupação decorrente dos maus tratos impostos aos naturais da terra, como forma de dominá-los e subjugá-los, conforme se pode lar nos relatos jesuíticos. Como é compreensível, os aborígenes reagiram, com virulência, a esses atentados à liberdade de agir livremente em seus domínios, não tolerando a destruição de suas ocas e tabas, o rapto de suas mulheres, enfim todos os desmandos cometidos pelos invasores. É sabido que no tempo do governador Mem de Sé essas lutas foram sendo acrescidas por um clima de insegurança crescente. Os índios resistiam, cada vez mais, aos que tentavam escravizá-los, ameaçando a segurança dos engenhos e fazendas.”

Consuelo Pondé de Sena

SENA, Consuelo Pondé de. Os Tupinambá da Bahia. In: NASCIMENTO, Jaime; GAMA, Hugo. A Urbanização de Salvador em Três Tempos – Colônia, Império e República. Textos Críticos de História Urbana. Salvador: Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, 2011, Vol. I, pg. 17-19.